VALID Certificadora
14\03\2017

6 passos para implantação do Hedge Accounting

6 passos para implantação do Hedge Accounting

A grande volatilidade do mercado financeiro é um dos principais entraves para a realização de negócios, principalmente quando eles envolvem grandes quantias. Afinal de contas, não é todo mundo que está disposto a colocar o seu patrimônio em jogo com operações que envolvem grandes riscos. Por isso, cada vez mais, os empresários vêm apostando em operações de Hedge e, consequentemente, no Hedge Accounting.

Mas você sabe o que significa Hedge? Vamos entender o conceito, antes de aprofundarmos mais na implantação.

As operações de Hedge

A palavra Hedge, traduzida para o português, significa “cerca”, ou seja, proteção. Os primeiros comerciantes da história (pescadores, vendedores de tecido e fazendeiros) começaram a utilizar o Hedge para evitar o excesso de perdas causadas pela desvalorização de seus produtos.

Dessa forma, eles fixavam o preço de venda no momento da produção e, sob contrato, o mantinham no momento de vender ao cliente final. Vamos a um exemplo:

Um fazendeiro está dando início ao plantio da sua produção anual de milho. Nesse momento, ele sabe que o produto final poderá ser vendido a R$ 30,00 a saca. Após a colheita, esse valor de R$ 30,00 pode ter mudado, valorizando ou desvalorizando. Para não ter que arcar com perdas, o fazendeiro fixa o valor de venda a R$ 30,00.

Se, na época da venda, a saca estiver valendo R$ 20,00, o fazendeiro deixou de perder R$ 10,00. Por outro lado, se o mercado valorizou e a saca estiver valendo R$ 35,00, ele deixou de ganhar R$ 5,00. Mas os 30 já programados estão garantidos.

A regulamentação

As operações Hedge não estão apenas no comércio, mas principalmente na bolsa de valores. Compra e venda de ações, operações com moedas estrangeiras e negociações envolvendo commodities estão entre as mais utilizadas pelos investidores que optam pelo Hedge no mercado financeiro.

Quem deve utilizar

Como já vimos, o Hedge é uma estratégia de mercado futuro, que busca evitar que o investidor corra o risco de contar com a volatilidade do mercado. A ideia é minimizar prejuízos, garantindo uma negociação mais segura, mesmo que a consequência seja uma ligeira perda de rentabilidade.

Assim, podemos entender que as operações Hedge são mais indicadas para empresas ou investidores que operam grandes valores, em mercados de grande volatilidade que podem representar prejuízos que inviabilizem negócios futuros.

O Hedge Accounting

Como você deve estar imaginando, as operações de Hedge, quando realizadas, causam grandes impactos na realidade contábil das empresas. Quando se realiza tal operação, há um descasamento entre o registro do instrumento derivativo e o registro da transação protegida, o que acaba causando modificações no resultado final da operação.

Para resolver o problema, as empresas praticantes das operações de Hedge adotam uma estratégia contábil chamada Hedge Accounting, ou Contabilidade de Hedge. Assim, é possível respeitar o princípio do confronto direto entre receitas e despesas e reduzir a volatilidade no resultado final.

Vamos ver quais são os passos para se implementar uma estratégia de Hedge Accounting nas empresas:

Identificar os ítens de uma operação de Hedge

O 1º passo para se implantar o Hedge Accounting na sua empresa é descobrir que tipo de operações você realiza. Para isso, é necessário verificar todo o seu portfólio e ver quais são os modelos em que se deve priorizar uma operação de Hedge. A partir daí, deve-se reunir com a contabilidade para se definir a estratégia contábil dessa operação, evitando problemas futuros.

Identificar a categoria de Hedge

Existem 3 categorias de operações de Hedge. São as seguintes:

Fair Value Hedge (Hedge de Valor Justo)

Neste tipo de operação, tanto o instrumento quanto o objeto de Hedge devem ser mensurados pelo seu valor justo, com a contrapartida no resultado.

Cash Flow Hedge (Hedge pelo Fluxo de Caixa)

Este tipo de operação protege contra as variações que podem ocorrer no fluxo de caixa da empresa. Estas variações estão atreladas a passivos ou ativos específicos, compromissos firmes ou transações altamente prováveis, que são projetadas previamente.

Nessa estratégia, o objeto continua sendo contabilizado da mesma maneira, como se estivesse sendo utilizada uma contabilidade normal. Porém, a parte efetiva da variação é registrada no patrimônio líquido.

Net Investment Hedge (Hedge de Investimento Líquido no Exterior)

Essa operação representa a proteção a um investimento líquido, realizado no exterior. Assim como no Cash Flow Hedge, o objeto não muda, mas o instrumento tem as variações no valor justo da sua parcela efetiva, lançados no resultado do período.

Identificar a natureza do risco

O passo 3 é uma consequência natural do passo 1: ao identificar quais são as potenciais operações de Hedge da sua empresa, é necessário estudar quais são os riscos envolvidos nela e como a aplicação da estratégia poderá evitá-los.

Identificar o instrumento de Hedge

Após as análises do produto e dos riscos envolvidos na operação, é preciso identificar quais serão os instrumentos utilizados para o Hedge proposto pela empresa. Os 3 mais populares são:

  • NDF (Non Deliverable Forward): é um contrato a termo que não passa pela mesa de negócios da Bolsa de Valores. A negociação é realizada diretamente com o banco;
  • Swap: em português, significa “permuta”. É uma operação baseada na troca de posições quanto ao risco e a rentabilidade, realizada entre os investidores.
  • Futuro: utiliza como base a moeda estrangeira, geralmente o dólar, com vencimento em uma data futura e preço previamente estabelecido.

Demonstrar a eficácia da estratégia

Para que uma estratégia de Hedge seja adotada e, principalmente, admitida pelo mercado financeiro, é necessário que a empresa tenha como comprovar a eficácia do plano traçado. Isso é feito por meio de testes de efetividade, que podem ser:

  • prospectivos: é realizada por meio da projeção de resultados futuros, medindo os produtos que estão envolvidos no Hedge;
  • retrospectivos: mensuração constante dos resultados efetivos obtidos com o Hedge. É admitida uma variação entre 80% a 125% de eficácia.

Se a estratégia não se provar eficaz, ela deve ser descontinuada.

Documentar todos os passos

Todos os passos da estratégia adotada devem ser documentados em um memorando de Hedge, que deve possuir todos os detalhes discutidos e implementados.

Se você seguir todos esses passos, sua empresa estará pronta para realizar uma estratégia de Hedge assertiva e lucrativa.

Aproveite a visita em nosso blog e leia o post “Análise financeira: 7 dicas para otimizar a gestão da sua empresa”!

O quanto este post foi útil para você?

Clique nas estrelas para avaliar!

Nota Média / 5. Contagem de Votos

Você achou este post útil...

Siga-nos nas redes sociais

Que pena que você não gostou.

Ajude-nos a melhorar o conteúdo do blog

Nenhum comentário | Comente

 

Os comentários estão encerrados.